Chegada do iPhone freia crescimento dos acessos
Por Claudia Woods em 04 dAmerica/Sao_Paulo setembro 2008, 04:09
 

Depois de anunciada a vinda do iPhone ao Brasil, houve desaceleração no crescimento dos acessos realizados pelo aparelho, que era de 1% ao dia até meados de abril.

Antes de seu lançamento oficial no Brasil, o iPhone 3G já movimentou o segmento de telefonia, especialmente depois que a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) homologou o aparelho a pedido da própria Apple. As operadoras Claro e Vivo garantem que o produto estará nas prateleiras bem antes do Natal. Funcionários da Vivo já circulam com o aparelho por aí, testando suas redes 3G. A TIM ainda busca a conclusão do acordo com a Apple, por meio da Telecom Itália, para lançar a novidade junto com seus concorrentes.

Essa movimentação pode ter freado o crescimento acelerado dos acessos via iPhone à internet brasileira, que vinham mantendo média de crescimento de 20 pontos percentuais por mês.

Com o anúncio de que a Vivo comercializaria o aparelho no país, o número que já chegava a 49 p.p. em março, caiu para 11 p.p. em abril. Depois do lançamento oficial do aparelho 3G, a queda foi ainda mais acentuada e atingiu cinco p.p. negativos em junho.

Nos meses de julho e agosto, o crescimento nos sites dos clientes da Predicta se manteve em três e 11 p.p. respectivamente. O iPhone utiliza um sistema operacional exclusivo e é por isso que conseguimos identificar os acessos de forma tão clara. O universo de dados coletados contempla exclusivamente sites e portais, excluindo suas versões WAP.

Essa estabilização reflete uma desaceleração nas compras do iPhone, causadas pela soma desses dois fatores. Como os consumidores sabem que dentro de poucos meses o gadget estará disponível para venda no país, é provável que o impulso de adquirir o aparelho tenha diminuído, especialmente porque se especula que chegará aqui a preços acessíveis.

Outro possível fator é o movimento natural que ocorre algum tempo depois de lançamentos de produtos tecnológicos. Assim que um novo gadget é adquirido, é normal que a curiosidade estimule um uso mais freqüente no início e foi o que aconteceu com o iPhone. Os novos usuários acabam acessando a internet várias vezes ao dia. Acredito que com o passar dos meses é comum haver a normalização na utilização dessa funcionalidade e, conseqüentemente, uma pequena queda na quantidade de acessos.

Mas esse comportamento não é suficiente para desacelerar tanto o crescimento. Está claro, pelo momento em que essa desaceleração aconteceu, que os brasileiros ainda sem o aparelho esperam para adquiri-lo aqui no Brasil.

Mesmo a movimentação ascendente em agosto, quando atingiu novamente 11 p.p., não deve ser vista como a possível entrada de novos aparelhos na base, já que eventos como as Olimpíadas estimularam um maior acesso à internet por parte dos usuários que já possuíam os dispositivos móveis. Esses períodos estimulam os acessos, quando as pessoas tendem a acessar a canais de notícias em uma freqüência maior, por isso o volume via outros celulares também cresceu.

Segundo pesquisa do DataFolha, há 59 milhões de usuários de internet no Brasil, mas o volume de acessos via dispositivos móveis ainda é pequeno. Este bolo tende a crescer em ritmo acentuado com a chegada de novos aparelhos com tecnologia 3G, principalmente o iPhone.

Duas barreiras principais impediam o crescimento dos acessos via dispositivos móveis no Brasil: a velocidade das redes e a dificuldade de navegação dos aparelhos disponíveis. Com a chegada da tecnologia 3G e com o lançamento de aparelhos cada vez mais capazes de oferecer ao usuário uma experiência de navegação similar a de seus computadores, o movimento ascendente será irreversível.

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