Google, o frenemy, amigo inimigo
Por Fred Pacheco em 06 dAmerica/Sao_Paulo junho 2008, 03:06
 

Ao assistir na última semana a transmissão de algumas palestras da Reuters Technology (link abaixo) pude observar novamente o temor de empresas em relação ao domínio econômico e de presença do Google no mundo de negócios.

A novidade desta vez foi observar receio em empresas tipicamente do mercado tradicional (não online), como a Nokia Siemens Networks e o grupo WPP de Publicidade – que cunhou para o Google o termo “frenemy” (friend+enemy).

É pertinente o receio? Depois de no início imaginar se tratar de um exagero, comecei a pensar na minha vida hoje e os contatos com o Google – quase o tempo todo.

Quando vou para qualquer lugar novo, utilizo o Google Maps; a qualquer momento, acesso meu e-mail pelo smartphone, através do Gmail; se preciso acessar algum site novo nem tento a URL, busco logo no Google Search; se em uma mesa de almoço fala-se sobre uma cena de filme, em poucos segundos o telefone 3G a exibe pelo YouTube.

Isso traz mudanças em mercados improváveis como o de logística de entregas (com rotas do Google Maps), o de clipping de notícias (com o iGoogle) ou o de editoras e livrarias (com o Book Search). Isso sem contar as iniciativas que ainda não se sabe até onde irão, como o Google Health, e a plataforma de telefones celulares Android. Será que laboratórios, médicos e fabricantes de celulares não devem se preocupar?

Relatórios da Predicta – líder de mercado em operação de publicidade on-line no Brasil – dão conta que 91% das busca orgânicas (não patrocinadas) que levam a grandes portais têm origem no Google. Observo ainda, em conversas com grandes anunciantes da web, que estes costumam direcionar entre 75% e 85% de sua verba de links pagos para o Google.

O que significa esta onipresença do Google para a publicidade? Esta é a pergunta de um milhão de dólares… Ao mesmo tempo que um eventual monopólio preocupa, é inegável o favor que a empresa presta a este mercado, criando novos pontos de contato com públicos qualificados em situações antes não imaginadas – dirigindo o carro, durante o almoço, no bar, lendo e-mails, etc.

Momentos adequados, nos quais uma marca pode fazer-se presente para os possíveis consumidores, de acordo com a relevância para eles.

Como profissional de inteligência em mídia on-line, ofereço louros ao Google por ter criado estes novos canais; sim criado, pois não foi uma simples substituição de empresas existentes, foi através da inovação e competência. Fico feliz por termos estes novos espaços no inventário publicitário, ainda que receoso de um dia ficar na mão de um só veículo forte. E você? Também tem medo do “Google-mau”?

As palestras na Reuters: Media and Telecoms Summit.

 

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3 Responses

  1. Jurandir Pedroso Says:

    “Como profissional de inteligência em mídia on-line, ofereço louros ao Google por ter criado estes novos canais; sim criado, pois não foi uma simples substituição de empresas existentes, foi através da inovação e competência.”

    O que o google criou? Tudo citado no seu artigo já existia antes do google: webmail, site de videos, buscadores… Acho que o termo não é o CRIAR e sim VIABILIZAR. Alias, faça uma reflexão e pense o que o google REALMENTE criou (Iniciativas pioneiras e não através de compras de outras empresas ou idéias). Acho que não resta quase nada dos produtos google.

  2. Fred Says:

    Oi, Jurandir.
    Você tem bastante razão quando diz que a grande contribuição do Google foi “viabilizar” os produtos. Eles criaram (sim, criaram) novos modelos de negócio que bem aplicados abriram um mercado.
    Também não gosto de ver o Google comprando empresas. Adquirindo mercados e concorrentes pela força do dinheiro. Mas, reconheço boas criações deles. Fizeram a experiência com o webmail diferente; criaram o Orkut de um modelo incipiente; o Google Maps trouxe novas ferramentas aos mapas online.
    E afinal o que é o email se não uma adaptação da carta? Inovação não precisa de ruptura.
    Abraços, Fred.

  3. Bruno Mori Says:

    Lembro de quando um convite para o Gmail era coisa rara, 1gb de espaço, que revolução. Alem disso o Gmail possuia todas as ferramentas e facilidades que os demais webmail. O Google realmente não inventou, mas evoluiu tudo que ja existia antes, não é este o principio da Internet? O proprio Orkut ja havia sido inventado antes.

    Mas a maior vantagem, tudo isso é integrado em apenas 1 dominio.

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