Tá rolando muita coisa por aqui. Estou acampado desde o primeiro dia. O clima dos campuseros é excepcional, pessoal amigável, todo mundo ajuda com informações do que está rolando. Na minha opinião, o melhor é aproveitar as palestra durante o dia. À noite o pessoal fica nas lanparties até amanhecer.
Na abertura oficial Gilberto Gil apareceu de surpresa e defendeu a expansão da banda larga no Brasil e defendeu os softwares livres: “É preciso ‘banda-alargar’ o Brasil. O prefeito Gilberto Kassab também marcou presença e o ponto alto foi de seu discurso foi a galera gritando “standcenter free”.
O ministro não resistiu e acabou participando de uma jam muito curiosa, misturando um instrumento musical futurista chamado Reactable, a escola de samba Nenê de Vila Matilde e a voz do próprio Gil.
O Reactable é uma espécie de mesa, onde vários usuários partilham simultaneamente seu controle, deslocando e rodando fichas transparentes sobre essa mesa luminosa, que ao se deslocarem criam complexas e dinâmicas topologias sonoras. Esse instrumento foi popularizado ao ser usado pela Bjork em sua turnê mundial no ano passado.
Na palestra do Ginga, o middleware que será utilizado na TV digital brasileira, foi possível ver diversos exemplos de aplicações, entre elas propaganda interativa, informações coletadas em tempo real, metodologias de desenvolvimento, etc.
O que está sendo interessante é que mesmo as palestras técnicas não são superficiais. O pessoal de segurança do nic.br, por exemplo explicou como implementar honeypots e honeynets em ambiente Unix. Deram um show de conhecimento e dicas para curiosos, hackers e analistas de segurança de plantão.
O pessoal de astronomia também está dando seu show à parte. A palestra do Google Sky e do Google Earth contou com um engenheiro que demonstrou como utilizar arquivos kml para customização e criação de objetos 3D nos próprios mapas. Prático e interessante.
Esperava ver mais gente do mercado de publicidade online. Não encontrei ninguém, nem mesmo na palestra sobre audiência em blogs. Só apareceram blogueiros. No fim a palestra acabou sendo mais focada em como aumentar a audiência dos blogs e passou batido nas técnicas de mensuração.
Aliás, sobre mensuração ainda não vi nada. Cheguei a perguntar sobre isso ao pessoal da TV digital, mas o pessoal é muito técnico e para eles esse assunto é indiferente.
Ontem participei de uma palestra de música com a galera de software livre. Tive até o prazer de dar uma canja para a platéia tocando teclado na demonstração de um software de áudio. Esse é um exemplo clássico do clima daqui nesse momento.
Outro fato curioso é a “briga” informal que está acontecendo entre bloggers e jornalistas, chamados por aqui de “os dinossauros da midia antiga”. Os jornalistas estão em um aquário e o pessoal não pára de colocar cartazes como “não alimentem os animais”, “espécie em extinção” e por aí vai…
O tema “Inclusão Digital” está sendo super explorado através de inúmeras palestras e discussões que estão acontecendo entre pessoas de todo o Brasil.
É excepcional ver gente de tantas áreas diferentes interagindo dessa forma.
Depois conto mais. Agora estou indo ver a competição de robótica que está rolando e na seqüência, a palestra da Suzanna Applebaum da Africa, sobre relacionamento das marcas e comunicação com os fãs. E daqui a pouco dois destaques estão sendo esperados: O pesquisador e escritor Steve Johnson, autor do livro “A Cultura da Interface” e John “Maddog” um dos ativistas de software livre.
Pra quem quiser acompanhar, diria que o melhor meio é a blogosphere.
Mais detalhes no Blogstream da Campus Party.
Mais sobre o Ginga: Softwarepublico.
