O balanço do Campus Party
Por Herman Fuchs em 18 dUTC fevereiro 2008, 12:02
 

Depois de uma semana acampando em estado primal, com as únicas necessidades inerentes sendo absorção e compartilhamento de conhecimento e tecnologia, vamos a um rápido balanço do Campus Party.

Faço um comentário sobre a parte da lanparty, ou BYOC (Bring Your Own Computer), pois é um caso à parte.

Foi impressionante ver, em plenas 5 da manhã de cada dia, que quase todos os campuseros ainda estavam lá, alguns em estado de letargia, absorvidos pelos FPS, RTS e MMORPGs, outros blogando e postando conteúdo na rede, outros desenvolvendo software, outros montando seus robôs peça a peça, outros fazendo arte eletrônica…

Depois que o dia amanhece e o evento acaba, é como voltar da “Matrix”.

Estes foram alguns dos últimos destaques que me chamaram a atenção:

Duas palestras mostraram boas soluções brasileiras para áreas distintas: o Muan, um software de animação quadro-a-quadro, que foi demonstrado pelo Marcos Magalhães (conhecido no Animamundi), com muitos recursos para quem faz este tipo de arte.

E a linguagem de programação Lua, criada nos laboratórios da PUC-Rio, que foi bastante popularizada no exterior e colabora para a redução da quantidade de linhas de código em seus programas. É sempre bom ver que temos soluções competentes nacionais.

Em um evento que privilegia tanto o software livre, surgiu uma palestra da Microsoft demonstrando o Silverlight, a cartada da empresa para tentar combater o monopólio do Adobe Flash nas animações e interfaces web. René de Paula Jr demonstrou algumas funcionalidades, como a possibilidade de utilização de vídeos de forma leve e intuitiva e o padrão aberto XAML que evita a utilização de arquivos binários. Tal padrão, aliás, poderia ajudar bastante o mercado de publicidade online, que vive com problemas de finalização de criativos a serem veiculados em sites.

E a Microsoft Brasil chegou até a realizar um beta testing com a Agência Click, para (tentar) provar que o Silverlight pode ter o desenvolvimento de hotsites mais eficiente do que o Adobe Flash.

Na área dos blogueiros, foram entrevistados alguns hackers conhecidos no cenário de segurança: Ramon (criador do software Metasploit), Rodrigo “BSDaemon” (kernel hacker hoje em dia contratado pela IBM), Blake Hartstein e Georgy Berdyshev (conhecidos no cenário internacional). Foram discutidas a ética hacker e a diferença entre crackers e hackers, para que não haja dúvidas ou preconceitos sobre quem é quem.

Seguindo a linha do evento, toda a relação dos hackers com software livre e disseminação de informação foram privilegiadas, de forma clara e elusiva. Como diria Bernard Shaw: “If you have an apple and I have an apple and we exchange these apples then you and I will still each have one apple. But if you have an idea and I have an idea and we exchange these ideas, then each of us will have two ideas”.

E olha só, quem levantou a galera na sexta-feira foi o nosso astronauta brasileiro, Marcos Pontes. Com muita humildade, simpatia e patriotismo ele resumiu sua história de vida, deu macetes aos candidatos a astronauta e contou um pouco do que se passava na cabeça dele e quais foram as curiosidades quando foi representar a nação na missão espacial. Nem John “Maddog” Hall conseguiu levantar os campuseros com um discurso tão “caseiro” e emocionante!

Finalizo por aqui, gostaria apenas de deixar registrado alguns puxões de orelha em pequenas falhas técnicas como:

  • Poluição sonora: muitas palestras acabaram ficando lado a lado simultaneamente e a proximidade com os campeonatos na lanparty acabavam deixando alguns palestrantes inaudíveis. E axé no último volume as 3 da manhã de sábado foi totalmente, totalmente desnecessário;
  • Fumar é proibido na Bienal, mas a proibição não estava sendo muito seguida;
  • O Parque do Ibirapuera tem estacionamento com zona azul e portões com horários restritos, isso dificulta a mobilidade;
  • O transporte de hardware em um espaço tão grande quanto a Bienal poderia ser melhor planejado, não é mole carregar 30kg de equipamentos

Independente disso, os organizadores fizeram um excelente trabalho em tocar esse evento com muita eficiência e tudo indica que em 2009 teremos uma nova edição. Torço para que entre permanentemente no calendário dos próximos anos!

 

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O que nos ensina o Campus Party II
Por Herman Fuchs em 15 dUTC fevereiro 2008, 09:02
 

Pra começar, acabo de voltar de uma curiosa oficina de construção de foguetes, depois de uma série de palestras e debates interessantes.

A palestra da Suzana Applebaum focou bastante no impacto da mídia social no consumidor, que valoriza cada vez mais informações vindas de “rede de amigos” do que a propaganda usual. Deu exemplos em dois cases interessantes para os campuseros: O primeiro foi o da série Heroes, que possui (no seriado) uma revista em quadrinhos chamada 9th Wonders, feita para os formadores de opinião da série. O HQ fez tanto sucesso que hoje em dia o site do Heroes – com as informações do HQ – tem mais de 10 mil páginas e representa 25% do tráfego total da NBS, transformando-se no HQ norte-americano mais lido na história. Até a Nissan virou anunciante dentro dos quadrinhos. O segundo case foi da Wired e seus subprodutos, mostrando cada vez mais que o importante é o conteúdo que está sendo passado aos leitores e não mais a revista em si. Para dar uma idéia, hoje em dia a revista representa cerca de um terço do conteúdo do site, que complementa as reportagens com muito mais informações relevantes. Isso levanta a dúvida (que não foi respondida na palestra): Por que as revistas e jornais brasileiros ainda bloqueiam conteúdo na Internet?

Em seguida, rolou uma mesa de debates com o tema: “Jornalismo e Nova Economia”. Participaram Heródoto Barbeira (da rádio CBN), Edevaldo Siqueira (CBN), Pedro Dória, Fabiana Zani (dpto online da Abril), Paulo Marcum (TV Cultura), a própria Suzana e diversos blogueiros significativos na Internet. Foi um dos debates mais interessantes e navegou por temas como o amadurecimento do jornalismo “paralelo” feito pelos blogueiros, como esse “novo jornalismo” poderá convergir com a mídia tradicional e acabou se transformando em outro debate: “jornalismo tradicional x jornalismo novo/paralelo”, já que as duas turmas estavam presentes para defender seus pontos. Um dos consensos foi que o futuro deve ser de colaboração entre ambas as partes.

John Maddog, o papa do software livre, fez a palestra mais popular da noite onde explicou como ganhar dinheiro com software livre e defendeu que o consumidor final precisa deixar de ser um “software slave” que precisa se moldar de acordo com o software e não o contrário. O ponto focal da palestra foi: qual o custo que o seu software gera? Pois as pessoas não querem perder tempo com produtos empacotados, elas querem serviços e soluções eficientes. E completou com uma analogia interessante: As pessoas não querem simplesmente um cirurgião ou especialista “mais barato”. Ele mostrou diversos tipos de profissões hoje em dia que giram em torno de software livre, apresentou “cases de sucesso” de gente que está ganhando dinheiro com isso, exemplos de aplicações com software livre lá fora e aqui no Brasil, mostrou o conceito de hardware livre que está se propagando. Tudo isso sempre com trabalho em conjunto, reutilizando as bases já prontas para não se perder tempo e criando mercados em economias locais como no Brasil. Vale lembrar que em Abril ocorrerá a nova edição do Fórum Internacional do Software Livre em Porto Alegre onde estes temas são recorrentes.

Steven Johnson, fez uma palestra com uma neurocientista brasileira onde abordou a forma como a mente humana interage com interfaces, como lida com padrões, estímulos externos e como a interface deve ser “invisível” para funcionar (ao contrário da interface do jogo Warcraft, um dos mais populares da Campus Party. Um dos pontos interessantes abordados foi sobre como o ensino boca-a-boca é defasado, como seria se a garotada de hoje em dia aprendesse história em um Civilization ao invés de simplesmente jogá-lo por diversão. As novas interfaces como as do jogos interagem de forma diferente com o cérebro, cria uma nova evolução da linguagem. Quem estiver curioso vale dar uma lida nos livros dele.

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O que nos ensina o Campus Party
Por Herman Fuchs em 14 dUTC fevereiro 2008, 04:02
 

Tá rolando muita coisa por aqui. Estou acampado desde o primeiro dia. O clima dos campuseros é excepcional, pessoal amigável, todo mundo ajuda com informações do que está rolando. Na minha opinião, o melhor é aproveitar as palestra durante o dia. À noite o pessoal fica nas lanparties até amanhecer.

Na abertura oficial Gilberto Gil apareceu de surpresa e defendeu a expansão da banda larga no Brasil e defendeu os softwares livres: “É preciso ‘banda-alargar’ o Brasil. O prefeito Gilberto Kassab também marcou presença e o ponto alto foi de seu discurso foi a galera gritando “standcenter free”.

O ministro não resistiu e acabou participando de uma jam muito curiosa, misturando um instrumento musical futurista chamado Reactable, a escola de samba Nenê de Vila Matilde e a voz do próprio Gil.

O Reactable é uma espécie de mesa, onde vários usuários partilham simultaneamente seu controle, deslocando e rodando fichas transparentes sobre essa mesa luminosa, que ao se deslocarem criam complexas e dinâmicas topologias sonoras. Esse instrumento foi popularizado ao ser usado pela Bjork em sua turnê mundial no ano passado.

Na palestra do Ginga, o middleware que será utilizado na TV digital brasileira, foi possível ver diversos exemplos de aplicações, entre elas propaganda interativa, informações coletadas em tempo real, metodologias de desenvolvimento, etc.

O que está sendo interessante é que mesmo as palestras técnicas não são superficiais. O pessoal de segurança do nic.br, por exemplo explicou como implementar honeypots e honeynets em ambiente Unix. Deram um show de conhecimento e dicas para curiosos, hackers e analistas de segurança de plantão.

O pessoal de astronomia também está dando seu show à parte. A palestra do Google Sky e do Google Earth contou com um engenheiro que demonstrou como utilizar arquivos kml para customização e criação de objetos 3D nos próprios mapas. Prático e interessante.

Esperava ver mais gente do mercado de publicidade online. Não encontrei ninguém, nem mesmo na palestra sobre audiência em blogs. Só apareceram blogueiros. No fim a palestra acabou sendo mais focada em como aumentar a audiência dos blogs e passou batido nas técnicas de mensuração.

Aliás, sobre mensuração ainda não vi nada. Cheguei a perguntar sobre isso ao pessoal da TV digital, mas o pessoal é muito técnico e para eles esse assunto é indiferente.

Ontem participei de uma palestra de música com a galera de software livre. Tive até o prazer de dar uma canja para a platéia tocando teclado na demonstração de um software de áudio. Esse é um exemplo clássico do clima daqui nesse momento.

Outro fato curioso é a “briga” informal que está acontecendo entre bloggers e jornalistas, chamados por aqui de “os dinossauros da midia antiga”. Os jornalistas estão em um aquário e o pessoal não pára de colocar cartazes como “não alimentem os animais”, “espécie em extinção” e por aí vai…

O tema “Inclusão Digital” está sendo super explorado através de inúmeras palestras e discussões que estão acontecendo entre pessoas de todo o Brasil.

É excepcional ver gente de tantas áreas diferentes interagindo dessa forma.

Depois conto mais. Agora estou indo ver a competição de robótica que está rolando e na seqüência, a palestra da Suzanna Applebaum da Africa, sobre relacionamento das marcas e comunicação com os fãs. E daqui a pouco dois destaques estão sendo esperados: O pesquisador e escritor Steve Johnson, autor do livro “A Cultura da Interface” e John “Maddog” um dos ativistas de software livre.

Pra quem quiser acompanhar, diria que o melhor meio é a blogosphere.

Mais detalhes no Blogstream da Campus Party.
Mais sobre o Ginga: Softwarepublico.

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O trabalho mais chato do ano
Por Gian Arena em 08 dUTC fevereiro 2008, 10:02
 

Qual o trabalho menos interessante que um profissional do mercado publicitário poderia realizar em 2008?

Se você chutou percorrer as principais capitais mundiais para conhecer a estrutura, o dia-a-dia e as figurinhas carimbadas das agências e hotshops mais inovadoras, acertou em cheio (e se eu fosse você jogaria na Mega-Sena).

Esta inglória missão ficará a cargo da sortuda Regina Augusto, editora-chefe do Jornal Meio & Mensagem.

A andança poderá ser acompanhada e invejada através do blog “Diário de Bordo”, que já está recheado com as visitas sem graça à Santo, Crispin Porter + Bogusky e Strawberry Frog e Droga 5.

Mais detalhes no Diário de Bordo, que possui uma chata mapografia do percurso.

 

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