Todos nós já trabalhamos com pessoas que exercem de forma brilhante os papéis que lhes foram designados, mas possuem algum tipo de deficiência em sua personalidade que torna o convívio difícil e até contraproducente.
Se você concorda com a afirmação acima, pare e reflita por um instante: será que o problema é seu colega ou você?
Provavelmente você atribuiu a responsabilidade ao seu colega, o que é natural, dado que é muito mais fácil enxergar problemas nos outros do que em nós mesmos.
Mas será justo atribuir a ele 100% dessa responsabilidade? Como em um casamento, na relação profissional são as pequenas atitudes que acabam deteriorando o dia-a-dia. Nesse caso, todos nós temos determinados comportamentos que não servem para absolutamente nada além de irritar os outros.
Ninguém é perfeito. Todos lutamos contra os próprios demônios e cometemos erros. No entanto, muitas vezes nos tornamos míopes e defendemos com unhas e dentes atitudes vazias, acreditando que elas são parte fundamental do nosso sucesso.
Marshall Goldsmith, uma autoridade em treinamento de executivos, principalmente quando se trata de comportamento, conseguiu sintetizar os 20 hábitos irritantes que mais estimulam problemas de relacionamento nas empresas, independentemente do seu tamanho. Gostaria de dividi-los com vocês (fui obrigado a manter alguns em inglês, para não alterar o sentido):
1. Vencer demais. A necessidade de se sentir vencedor a todo custo e em todas as discussões – quando importa, quando não importa e principalmente quando vencer ou não está totalmente fora do foco da discussão;
2. Adicionar valor excessivo. A necessidade de dar pitaco em qualquer discussão;
3. Passing judgement. A necessidade de pré-julgar os outros e impor seus padrões a eles;
4. Fazer comentários destrutivos. Utilizar sarcasmos desnecessários e observações ferinas achando que nos farão soar afiados e inteligentes;
5. Começar frases com não, mas ou no entanto. O uso excessivo de qualificadores negativos que dizem secretamente para o seu interlocutor: “Eu estou certo, você está errado.”
6. Dizer ao mundo o quão esperto nós somos. A necessidade de mostrar para as pessoas que nós somos mais espertos do que elas acham.
7. Falar com raiva. Usar volatilidade emocional como uma ferramenta.
8. Negatividade ou “Deixe-me explicar porque isso não vai funcionar”. A necessidade de compartilhar nossos pensamentos negativos, mesmo quando não somos perguntados.
9. Não compartilhar informação. A recusa em compartilhar informações visando ganhar ou manter uma vantagem sobre os outros.
10. Não dar reconhecimento adequado. A incapacidade de elogiar e recompensar o trabalho bem feito.
11. Buscar ganhar créditos não merecidos. A forma mais irritante de superestimar nossa contribuição para qualquer sucesso.
12. Dar desculpas. A necessidade de caracterizar nosso comportamento irritante como algo permanente e imutável para que as outras pessoas tenham que nos desculpar por ele.
13. Clinging to the past. A necessidade de tirar nossa responsabilidade em determinado assunto e culpar pessoas e eventos do nosso passado; uma variação de “culpar os outros”.
14. Playing Favorites. Falhar em ver que estamos tratando pessoas de forma injusta.
15. Recusa em admitir culpa. A inabilidade de tomar responsabilidade por nossas ações, admitindo erros ou reconhecendo que nossas ações afetam os outros.
16. Não escutar. A forma mais passivo-agressiva de desrespeito com os colegas
17. Falhar em expressar gratidão. A forma mais básica de mau hábito.
18. Punir o mensageiro. A necessidade de atacar o inocente que geralmente está querendo apenas nos ajudar.
19. Passing the buck. A necessidade de culpar todo mundo menos nós mesmos;
20. Necessidade excessiva de ser “eu”. Exaltar nossas falhas e virtudes simplesmente porque acreditamos que elas definem o que nós somos.
Há quem diga que alguns desses hábitos acima são virtudes. Na minha visão geral, ao contrário, são atitudes que irritam as pessoas à nossa volta e nos impedem de atingir nosso potencial como equipe.
Que tal analisar cada um desses maus hábitos procurando identificá-los em seu comportamento? Está com dificuldade em enxergar, mas ainda assim quer melhorar? Peça ajuda a um colega de trabalho e ouça atentamente seu feedback (sem retrucar! E no final agradeça).
Fica aqui o meu convite para que você reflita sobre o assunto e tente colocar em prática o que acredita poder fazer para melhorar. Você não vai mudar da noite para o dia, pois muitos desses hábitos nos acompanham há anos. Mas apenas reconhecer e querer evoluir já é um grande passo.
HAI!
Fontes:
- Harvard Business Review on Leadership – Vários autores – Harvard Business School Press (September 1998)
- What Got You Here Won’t Get You There – Marshall Goldsmith – Hyperion (January 9, 2007)