Após quase 10 anos de privatização das teles, em um modelo monopolista e estatal, o mercado parece estar passando por outra grande transformação, causada pela inevitável convergência de meios de comunicação.
Isso já acontece em mercados maduros, como é o caso do americano e o europeu, mas aqui no Brasil alguns players antes nunca vistos como concorrentes estão se posicionando e se preparando para esta etapa de convergência.
Como bons exemplos disso podemos citar a estratégia da Telemar de prover um grande serviço de comunicação através do celular (Oi), internet (Velox), telefonia fixa (Telemar) e longa distância (31) tudo em um pacote integrado que possui um portal de banda larga que fornece conteúdo por vídeo. Assim, o usuário poderá ter acesso a conteúdos antes exclusivos da televisão (Globo.com).
Por outro lado, operadoras de TV a cabo, como a NET, oferecem também outros serviços de comunicação, que incluem TV por assinatura (NET), internet (Virtua) e telefonia IP (NET Fone em parceria com a Embratel).
Este novo cenário está se configurando não mais como concorrência em indústrias (telefonia, televisão a cabo, internet), mas concorrência em setores (grupos de comunicação).
Portanto, o interesse da Telefonica em controlar a Vivo ou a TIM faz parte da tendência de convergência e será inevitável especialmente para as teles, que possuem custos altos com suas infra-estruturas de telefonia comutada em comparação com a telefonia IP. Acredito que aquisições e parcerias se firmarão com maior frequência e a concorrência entre grupos de comunicação será cada vez mais acirrada.
Este comentário é em função da notícia do New York Times que informa que a Telefónica pode comprar TIM no Brasil. Segundo a notícia, a Telecom Italia deve anunciar nesta segunda-feira um plano de reestruturação que incluiria o Brasil, com a venda da TIM Participações. A espanhola Telefónica estaria interessada no negócio e a venda parece próxima.