Telefonia e internet na disputa pelo last mile
Por Marcelo Marzola em 11 dAmerica/Sao_Paulo setembro 2006, 11:09
 

Excelente a matéria e discussão (Telefónica e Tim: players se preparam para a convergência).

Queria dar a minha contribuição. No meu ponto de vista, essa sinalização de compra está um passo antes, no que o mercado chama de consolidação. O mercado brasileiro pós-privatização criou algumas empresas de telefonia, mas este perfil do mercado (vide mercado americano/europeu) não tolera todas essas empresas.

A tendência é então a de consolidação em poucas empresas (é claro que com todo cuidado e observação dos órgãos que regulam mono/oligopólios, como o CADE).

A consolidação é um esforço para a grande batalha: telefonia versus lógica. Ou seja, a questão é, no final das contas , qual o cabo que vai te dar comunicação (entenda comunicação como telefonia fixa local + longa distância + internet + quem sabe um pouquinho mais pra frente, telefonia móvel) – o RJ45 de rede ou o bom e velho cabo de cobre?

Vemos então as duas forças do mercado de comunicação. De um lado a telefonia, do outro internet/banda larga (via TV a cabo)… É a briga da NET com a Telefonica, por exemplo. Acho que as empresas de TV a cabo têm relativa vantagem (em termos de custo de operação).

Se você parar para pensar um pouco, a pergunta maior é: quem domina o “last mile” (last mile, pra quem não conhece o termo, é a expressão usada no mundo de telecom para descrever a “última milha” do cabo que chega até a sua casa. Porque não adianta você ter uma rede central de altíssima velocidade se a última milha ainda é de cabos de cobre. Pelo outro lado, não adianta tentar dar capilaridade a cabos de fibra ótica (pois o custo é muito alto).

E qual o melhor “last mile”? E aí temos as novas formas de comunicação que estão surgindo como a internet de alta velocidade via a rede de energia elétrica (por falar em capilaridade…) ou então pela tubulação de gás (que também tem grande penetração no Brasil).

Mas será que a gente precisa mesmo de um “last mile” com um meio físico? O futuro não é wireless? É aí que entra o concorrente que eu, pessoalmente, acho o mais forte – o Wi-Max (rede wireless de alto alcance e alta velocidade).

Então, as telecoms provêem a espinha dorsal de acesso subterrâneo/submarino à internet e players locais criam várias redes wi-max, que depois vão se consolidando. Ué … mas o pessoal de TV a cabo não tinha a vantagem? Agora parece que a vantagem está nas telecoms…

(Claro, se vocês acompanharam, o leilão de wi-max no Brasil acabou em pizza na semana passada e foi suspenso por o que alguns dizem ter sido marmelada. Coisas da nossa terra.)

 

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